'Apoie as Leoas': torcedores vendem camisas para ajudar jogadoras do Vitória

Correio*

Atletas estão sem receber nada do clube desde antes da paralisação provocada pela pandemia.

Por João Gabriel Galdea

No mesmo dia em que a baiana Amanda Nunes, a Leoa, vencia mais uma defesa de título no UFC e, de quebra, embolsava cerca de R$ 2 milhões, um grupo de torcedores do Vitória, clube de coração da campeã de MMA, iniciavam uma luta para ajudar outras guerreiras rubro-negras.

Com as jogadoras do Vitória sem receber salário (no caso das adultas) ou ajuda de custo (no caso das menores de idade que atuam no profissional) desde o final do ano passado, sócios e conselheiros da Frente Vitória Popular (ECV Popular) lançaram no sábado (6) o projeto ‘Eu Apoio as Leoas’, que tem como objetivo arrecadar fundos para apoiar o futebol feminino do clube.

O dinheiro, a ser dividido entre as 27 atletas do plantel atual que deve disputar a Série A do Brasileirão, virá através da venda de camisetas com temas relacionados ao Leão.

“O objetivo é arrecadar recursos para poder ajudar na manutenção do time de futebol feminino do Vitória e nas despesas das jogadoras (deslocamento, alimentação, equipamentos etc). Devido à pandemia, as atletas foram afastadas do clube e estão passando dificuldades”, informam os organizadores da campanha.

Conselheira do Vitória e uma das envolvidas na ação (juntamente com outros 27 conselheiros), Bete Dantas explica que a ideia é arrecadar, pelo menos, R$ 60 mil, indo parte para a produção das próprias camisetas e o restante para as leoas.

Cada camiseta - são três modelos, a princípio - custa R$ 55, mas dá pra ajudar pagando a partir de R$ 15, que dá direito a dois bottons, certificado digital e agradecimento nas redes sociais.

A meta inicial da campanha, de R$ 10 mil, já estava perto de ser atingida na noite desta segunda-feira (8), com R$ 7,6 mil arrecadados até as 21h30.

Sem resposta

Uma das lideranças do Comando Feminino da Torcida Uniformizada Os Imbatíveis (TUI), Bete explica que os torcedores têm acompanhado a situação das jogadores de perto.

“A gente tentou dialogar com o clube, porque fazemos parte do conselho. Mandamos um e-mail para o Vitória no dia 14 de maio. No dia 20 de maio a gente reenviou e, nas duas vezes, eles não explicaram o que está motivando os atrasos de salários. Sabemos que o Vitória recebeu R$ 120 mil da CBF para o futebol feminino que ainda não foi repassado às atletas”, explica Bete.

Segundo o GloboEsporte.com, os salários ou ajuda de custo das jogadoras variam de R$ 600 a R$ 1,3 mil.

Ainda de acordo com a torcedora e conselheira, a divisão de base feminina também está sem receber transporte desde outubro.

Vale lembrar que, ainda durante a campanha para voltar ao comando do Leão, o presidente Paulo Carneiro, que já está no novo mandato há pouco mais de um ano, afirmava que as mulheres não deveriam jogar no Barradão.

"A primeira coisa que vou fazer [se eleito] é tirar o futebol feminino de lá. Porque não é lugar... Ou joga futebol masculino ou joga futebol feminino, tem que ser em lugares diferentes", afirmou em entrevista ao canal Bar FC, no YouTube.

O CORREIO entrou em contato com a assessoria do clube, que informou que, em relação à queixa, trata-se de “um assunto interno e o clube prefere não comentar”. Sobre a campanha realizada pelos torcedores, a comunicação do Vitória informou que “a iniciativa é louvável e tem o apoio do clube”.

Para ajudar as leoas a superar as dificuldades agravadas pela pandemia da covid-19, clique aqui.

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