Contribuição de Fernando Monfardini à Frente Vitória Popular

Por Fernando Monfardini

Advogado, Consultor de Compliance

Autor do livro “Compliance no Futebol: a tática de democratização, transparência e controles internos”

A profissionalização da gestão no futebol tem no seu melhor modelo o uso da torcida como fator preponderante de participação na gestão, atração de investidores e ganho de receitas com os torcedores.

A governança corporativa busca aliar e conciliar os interesses de todos os envolvidos na atividade econômica. Aplicando isso ao futebol, a governança corporativa daria ao clube a profissionalização necessária, utilizando os seus princípios para harmonizar a busca por investimentos com os interesses dos torcedores, sócios, investidores, mídia, funcionários, atletas, empresários e mídia.

A ponto de partida para essa mudança é a aplicação de princípios básicos, sendo estes a democratização, a responsabilidade fiscal, o fortalecimento dos controles internos e a transparência.

A abertura do clube para a torcida poder participar ativamente das decisões políticas se mostra um passo importante tanto para a gestão, quanto para as próprias receitas do clube. Com a possibilidade dos torcedores participarem mais ativamente, fará mais torcedores se associarem, trazendo uma receita segura e mensal, dando também fluxo de caixa à gestão.

A transparência vai permitir passar segurança aos torcedores - que são os que consomem os produtos do clube e ajudam a financiá-lo -, assim como passará segurança aos potenciais investidores, que verão no clube a possibilidade de investir com clareza de como está sendo aplicado o seu dinheiro.

Os controles internos fecham a equação inicial da gestão, possibilitando que, com a democratização e transparência, possam ser responsabilizados gestores que praticarem atos atentatórios ao clube, por omissão ou ação.

O primeiro passo neste aspecto é tentar o afastamento da ingerência política nos controles já existentes, dando um critério mais técnico aos componentes, além de atribuir a devida autonomia e independência ao setor.

O segundo ponto é o investimento maciço em políticas de governança corporativa e compliance. Compliance é um termo em inglês que tem o significado próximo ao de “conformidade”. O compliance é um mecanismo que busca, por meio de processos e procedimentos aplicados por seus pilares, a criação de uma cultura de integridade, bem como a prevenção, identificação e detecção de inconformidades, permitindo que os gestores possam ter segurança de gerir o clube da melhor forma possível.

Implementar uma boa gestão de riscos e compliance num clube é fazer a escolha de mudar totalmente a cultura da instituição. É a decisão acertada para aquele clube que procura fazer a transformação para seguir a outro patamar, um patamar de aplicação de uma governança corporativa e profissionalismo que vai além da palavra, que se insere em todos os setores da realidade da entidade, abrindo espaço para um caminho de sucesso pautado na segurança, na ética e na construção de um legado.

Por meio da criação de políticas e mecanismos de compliance será possível que o clube possa gerir e prevenir seus riscos, otimizando a gestão e definindo prioridades, prevenir perdas, valorizar a marca, ganhar investimentos, fortalecer os controles, proteger o clube e reduzir custos.

Elogio a Frente Vitória Popular por liderar a discussão desses assuntos no clube, bem como desejo sucesso, com a certeza que esse sucesso será do próprio do Esporte Clube Vitória.

Contribuição de Fernando Monfardini à Frente Vitória Popular
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