Presidente do Conselho Fiscal vê falta de transparência na gestão de Paulo Carneiro

Publicado no Bahia Notícias

Por Milena Lopes / Glauber Guerra


O presidente do Conselho Fiscal, do Vitória, Jailson Reis Vitória, se diz preocupado pelo fato de Paulo Carneiro, mandatário da agremiação, ter adiado por sete meses a publicação das demonstrações financeiras do clube (saiba mais aqui).

“Vejo com preocupação a atitude do Conselho Diretor referente a esse assunto. Mesmo porque ele teria que fazer a publicação, trata-se de um regimento interno do clube. O decreto que ele está se baseando é, tão somente, de prorrogação, não quer dizer que ele teria que cumprir essa prorrogação”, disse em entrevista ao programa BN na Bola, da Rádio Salvador FM 92,3.

Na semana passada, o presidente do Vitória anunciou que apresentará as documentações pendentes na próxima sexta, faltando apenas um dia para a reunião que terá, entre as discussões a serem pautadas, as finanças da agremiação. Com isso, o Conselho Fiscal não conseguirá apresentar as suas documentações com prestação de contas do clube. Segundo Jailson, a reunião ordinária marcada para sábado (15), que irá julgar as contas de Paulo Carneiro do exercício de 2020 será adiada.

“Existe um grau de dificuldade de emitir o parecer porque a documentação solicitada não foi disponibilizada ainda. A auditoria não entregou o relatório, segundo o Conselho Diretor, ele vai entregar no dia 14, na véspera, então não há condição nenhuma de você analisar o que vai ser entregue. E também, o relatório do Conselho Diretor não foi encaminhado. Provavelmente não haverá prestação de contas nesse dia”, declarou. “Provavelmente, ela [a reunião] será adiada e eu vou estar pedindo um prazo para que seja analisado e depois vamos encaminhar o parecer juntamente com as recomendações do Conselho Deliberativo”, completou Jailson.

Ainda que a pauta do Conselho Fiscal na reunião ordinária seja adiada, o presidente do órgão interno rubro-negro, explicou que a reunião extraordinária deve ser mantida. A pauta é para apurar o processo de Paulo Carneiro contra o Vitória S/A (relembre aqui).

“Existe uma possibilidade muito grande dessa reunião do conselho não acontecer no primeiro item, no que diz respeito ao Conselho Fiscal. Eu devo estar enviando uma solicitação ao presidente do Conselho Deliberativo para ser retirado de pauta devido a situações de falta de documentação para emitir parecer. Tem um segundo item que o presidente vai esclarecer a questão das ações do Vitória S/A contra a empresa de Paulo Carneiro e Paulo Carneiro contra a empresa Vitória S/A”, esclareceu.

Diretor presidente do Vitória S/A desde 2019, Paulo Carneiro passou um ano no cargo sem conhecimento inclusive do Conselho Fiscal sobre o funcionamento da instituição.

“A informação foi zero eu tomei conheço muito bem depois do fato já está registrado na Junta Comercial. Não sabíamos de nada”, garantiu Jailson Reis.

Ele ainda esclareceu que existe a possibilidade de que a retirada da pauta do Conselho Fiscal seja negada, mas que, é preciso reconhecer todos os erros que estão envolvidos.

“Existe uma possibilidade, mas aí vai ter que seguir o rito estatutário de tudo. Mas, eu entendo que o Conselho Diretor cometeu uma falha seguindo a Lei Pelé. Diante disso, existe uma discussão para poder chegar ao entendimento jurídico de qual a situação mais benéfica para o clube. Então, não temos que pensar no direito do presidente, temos que pensar no direito do clube, que está acima dele. Ele tem que entender que o clube não pertence a ele, pertence aos sócios e aos torcedores”, reforçou.

Apesar da conduta do presidente do clube, o dirigente do Conselho Fiscal esclareceu que, mesmo que sejam comprovadas falhas e descumprimentos na execução da função do dirigente do Vitória, o afastamento não deve acontecer imediatamente.

“Não está previsto isso na reunião do Conselho. Tudo acontecerá dentro do parecer que vai ser dado e levado ao Conselho. As atitudes serão tomadas a partir dali, não nessa reunião”, explicitou.

Sobre outras denúncias abertas pelo próprio Jailson Reis sobre Paulo Carneiro, ele completou que esses aspectos não entrarão em discussão na próxima reunião. “A Comissão está designada para fazer o levantamento da denúncia, já tive uma conversa com a comissão, apresentei alguma documentação e agora estamos seguindo o rito normalmente. Eles têm um prazo de 30 dias para emitir um relatório”, detalhou.

Dentre os problemas de transparência e organização sobre as finanças do Leão, o presidente do Conselho Fiscal citou alguns exemplos de situações que exemplificam os problemas existentes dentro da agremiação.

“Os contratos do Vitória são todos pulverizados no clube. É uma falta de organização gerencial. O Vitória hoje não tem uma gestão que você possa dizer que exemplo para clube de futebol. Foi solicitado ao conselho deliberativo que os contratos todos assinados pelo Vitória fossem, de agora em diante, todos ou digital ou eletrônico e que caíssem diretamente no sistema para facilitar o Conselho Deliberativo deve levar isso aos conselheiros já que o diretor não acata essa recomendação”, comentou.

Uma situação que teria rendido boas arrecadações ao Vitória, mas que também não está esclarecido, são os valores sobre a venda de Diego Rosa. A movimentação teria rendido em torno de R$ 9 milhões ao clube, mas os valores já teriam envolvimento no pagamento de um empréstimo que não condiz com documentos, até agora, apresentados ao Conselho Fiscal.

“Na verdade, o Conselho Diretor fez uma apresentação ao Conselho Deliberativo e tem alguns valores que precisam ser esclarecidos do primeiro recebimento R$ 5 milhões. O de R$ 3 milhões era um empréstimo que o Vitória tinha com com a Magno, de 2019, que quitou com esse valor o pagando com a empresa do nome Gold, sem o aditivo contratual, então foi só por um comunicado interno. Eu não quero me antecipar ao parecer do Conselho Fiscal, mesmo porque, vamos pedir um prazo para que seja apresentado tudo. O próprio Conselho Diretor emitiu um ofício já informando que aconteceu isso mesmo e que foi proveniente da venda de Diego Rosa e que a empresa teria 15% do valor recebido do clube. Entretanto, tem um contrato de multa que fala que a garantia dos direitos de recebimento da CBF. Então, é conflitante a informação do Conselho Diretor com o contrato que eu tenho em mãos. Ele ainda informa que o clube deve a essa empresa 150 mil euros. Na verdade o contrato é em real, então é tudo meio confuso”, explicou.